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Primeiro passo: poupar!

Primeiro passo: poupar!

Nas diversas conversas que tenho com pessoas das mais diferentes classes sociais vejo que o brasileiro precisa entender muito mais de finanças pessoais. É impressionante como até pequenos e médios empreendedores desconhecem conceitos e preceitos básicos no tema.

É claro que não conseguirei expor aqui todo o conteúdo necessário para que você possua uma vida financeira confortável e bem-sucedida, mas o intuito aqui é estimular você leitor a pesquisar e conversar mais sobre o tema. É incrível como o brasileiro discute tanto sobre os mais variados assuntos e conversa relativamente pouco sobre poupar e investir.

De maneira simples, a gestão das finanças pessoais se resume a 2 decisões: poupar e investir. Nesta primeira matéria do ano falaremos sobre a primeira decisão. 

A queda da poupança nacional é um fenômeno que tem ocorrido em várias nações ocidentais e é potencializado no Brasil pela nossa herança histórica ibérica e de convivência com altas taxas de inflação, aonde o consumo tinha que ser realizado rapidamente e as aplicações financeiras de proteção contra a inflação não eram difundidos para a grande maioria da população. Mas hoje isso não se justifica mais e temos de combater o fenômeno da baixa poupança.

Desde os primórdios da civilização, o ser humano sempre se deparou com a escolha consumo imediato x consumo futuro (que é a poupança). Pense em um pescador primitivo, por exemplo. Ele se depara com a decisão entre realizar a pesca com as ferramentas que possuí no momento (que podem ser suas próprias mãos) e satisfazer sua vontade e necessidade de consumo imediato, ou despender tempo fabricando ferramentas para sua pesca (uma vara, por exemplo), que em um primeiro momento reduz seu consumo imediato, pois ele passará menos tempo pescando, mas aumenta sua pesca futura, dado que conseguirá pescar mais peixes com uma vara.

A atual situação atual das contas públicas brasileiras eleva ainda mais a necessidade da poupança em nossa sociedade. A reforma da previdência que já foi exaustivamente tratada por mim nesse espaço será feita hora ou outra. Não sabemos se a reforma executada pelo atual governa será suficiente para “zerar” o déficit estrutural que possuímos hoje e propiciar a quantidade de recursos necessários para a transição para um regime de capitalização, mas fato é que a previdência pública como se configura hoje é insustentável, e não depender dela é uma escolha no mínimo razoável. Qualquer incremento adicional à ela é extremamente bem vindo se você busca uma aposentadoria sem preocupações financeiras.

"Antes de correr você precisa andar e antes de andar precisa engatinhar – e poupar é como engatinhar nas finanças"

Um aumento da poupança por parte dos brasileiros também influência na resolução de outro problema estrutural brasileiro: as altas taxas de juros. Imagine a poupança como uma grande caixa d’água controlada por um cobrador. O primeiro e maior consumidor é o empregador do cobrador, e ele determina a quantidade de água que irá necessitar e o preço que pagará pela quantidade. Satisfeitas as necessidades deste primeiro consumidor, o cobrador pode vender a água restante  para os demais consumidores com base na oferta e demanda pela mesma, tendo o preço pago pelo primeiro consumidor como um piso. Nesta pequena analogia, a água é a poupança, o primeiro consumidor é o governo, os demais consumidores são os demais agentes deficitários da economia (empresas, investidores, consumidores endividados, etc.) e o preço da água é a taxa de juros.

Ou seja, a taxa de juros (preço da água) pode cair de três maneiras. Um aumento da quantidade de poupança (água), a redução do déficit público (quantidade de água consumida pelo primeiro consumidor) ou a redução da taxa de juros básica da economia (preço da água paga pelo primeiro consumidor). As duas últimas varáveis estão na mão do governo, mas a primeira cabe às empresas e famílias. 

Recomendação de leitura - Para um melhor entendimento do papel da poupança para a sociedade e para economia, recomendo a leitura do capítulo 9 do excelente livro “O Mapa e o Território”, do ex-presidente do FED, Alan Greenspan.

Por Alef DIas

Tags: Economia


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